quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

AZAR É....



O Gato Preto do Destino

“No lugar de Susana veio sentar-se… o gato preto do destino!”

A fotografia do automóvel descapotável mostrava um gato preto ocupando o banco ao lado do condutor onde uma jovem cantora ou atriz francesa de grande popularidade tinha acabado de perder a vida num acidente de viação. Um gato sem lacinho, sem nome, sem dono!

Foi há uns 50 ou mais anos e não recordo quem era a vítima. Mas a imagem do gato e a frase do jornalista, essas impressionaram a minha adolescência e nunca mais me esqueceram. Porque para muita gente, gato preto traz consigo o que nunca sabemos antecipar: a boa sorte ou o azar; ele significa a fatalidade, o mistério, o insondável.

E é nesse papel que muitas vezes me tenho visto na vida: estou lá, mas sem que outros vejam o que faço ou, quando vêem, sem que tentem compreender, quer para o aprovar ou repudiar. Por isso, às vezes dou a mim mesmo esse título que não me desonra: eu serei então o gato preto do destino!

Exemplifico: folheei ontem um opúsculo com os discursos proferidos no Encontro de Cientistas Portugueses Residentes no Estrangeiro que teve lugar em Aveiro em dezembro de 1995. Ao intervir no encerramento, Júlio Pedrosa, então reitor da universidade local, diz que “a constituição de uma associação formal destes cientistas é uma outra proposta aceite, a qual foi apresentada por um cientista português que reside hoje em Portugal como professor na universidade de Coimbra, depois de ter passado vários anos no estrangeiro, e que a faz à luz desta dupla experiência”.

Ora o homem sem nome, autor daquela proposta… era eu, que já a tinha formulado e defendido em dezembro de 1980, numa intervenção apresentada ao congresso a Universidade Portuguesa nos Anos 80, realizado no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Portador da sorte ou do azar, quem faz uma proposta retomada década e meia mais tarde é por isso a imagem incarnada de um gato preto do destino.